O estereótipo da dança do ventre no cinema e na TV

O estereótipo da dança do ventre tem várias origens e uma longa história, tendo sido fortemente influenciado pelo cinema e pela televisão.

Dança do ventre – Estereotipo – Cinema e TV

O estereótipo e a visão distorcida que os leigos no ocidente têm a respeito da dança do ventre foram construídos ao longo de muitos anos, desde o século XVIII com o início do chamado “ Orientalismo” até os dias de hoje com postagens inapropriadas nas mídias sociais. Neste processo, a TV e o cinema tiveram grande influência desde de o início, servindo para disseminar a ideia do aspecto sexual, de conquista e exótico a respeito da dança do ventre, gerando ou reforçando um crescente preconceito.
Na primeira metade do século XX, havia um intenso interesse sobre o oriente médio. Nas revistas, jornais, rádio TV, cinema e rodas sociais falava-se muito sobre o assunto, impulsionado por descobertas arqueológicas como a de Tutancâmon e as do Vale do Reis. Nesse contexto foram produzidos filmes e desenhos retratando a visão que se tinha, em muitos casos com exageros, como no caso do estereótipo da dança do ventre, ou com invenções, como no caso dos haréns.

Em 1897, o filme de Thomas Edison “Fatima Dancers” descreveu as mulheres árabes como bailarinas do ventre que usavam trajes sedutores e dançavam para o público masculino. Esse estereótipo dos árabes prevaleceu por muito tempo.

Na verdade, esse estereótipo se tornou uma obsessão e os árabes foram alvo de fetiche no cinema e na televisão desde os primeiros dias de Hollywood. Imagens cinematográficas dos filmes mudos falam mais do se imagina, vão desde a atração fatal da “vampira” Theda Bara (cujo nome era um anagrama da “morte árabe”, Arab Death) a Rudolph Valentino incorporando uma fantasia orientalista em The Sheik.

Dança do ventre – Estereótipo - Theda Bara – Vamp - Femme Fatale
Atriz americana Theda Bara em “Cleopatra” de 1917, mostrando que o estereotipo árabe apareceu no cinema desde seus primórdios.

Depois que os países árabes se tornaram os principais exportadores de petróleo do mundo e nações extremamente ricas, esse estereótipo mudou e os árabes foram representados como bilionários. Os homens árabes eram representados como homens ricos que possuíam grandes companhias de petróleo e que eram casados ​​com centenas de mulheres, as odaliscas, geralmente representadas como dançarinas do ventre. Essa mudança na representação refletiu um fator chave que mostra um estereótipo cego. Não é que os homens e mulheres árabes tenham evoluído durante este tempo, mas sim é a imagem dos árabes, que é influenciada pelos fatores sociais e políticos em todo o mundo, que mudou. Por exemplo, durante os anos setenta, alguns países árabes se recusaram a exportar petróleo para os países ocidentais. Consequentemente, os árabes foram vistos como vilões exploradores desse recurso natural, cujo único propósito era ganhar dinheiro e usá-lo para seus planos malignos. Portanto, eles foram retratados como sendo assim nos filmes. Esse um processo que se mantém até hoje, sendo os estereótipos alterados em função do problema do terrorismo e da recente onda migratória.

O contexto do estereótipo árabe no qual a dança do ventre está inserida

Quando uma criança ouve a palavra “Árabe”, qual é a primeira coisa que vem à mente? Talvez a imagem do filme de animação Aladdin, da Disney, um desenho que foi imensamente popular nos cinemas, em vídeo e na TV e que às vezes ainda é mostrado em salas de aulas nas escolas. No entanto, até mesmo os árabes que vivem no ocidente têm problemas com esse desenho.

Dança do ventre – Estereotipo – Aladdin
O desenho Alladin, de 1992, traz uma vasta gama de estereótipos do mundo árabe em geral, incluindo a dança do ventre, tendo sido alvo de muitos protestos.

Embora de muitas maneiras seja um desenho encantador, artisticamente impressionante, e uma das poucas produções americanas que mostram um herói ou heroína árabes, um olhar mais atento revela algumas características perturbadoras. Os personagens principais do filme, Aladdin e Jasmine, têm traços anglicanos e sotaques anglo-americanos. Isto está em contraste com os outros personagens que são de pele escura, cruéis, com acentos árabes e grotescas características faciais como os guardas do palácio ou os comerciantes gananciosos.

A música de abertura do filme define o tom:

“Oh, eu venho de uma terra, de um lugar distante, onde a caravana de camelos vagueia, onde eles cortam sua orelha se eles não gostam da sua cara, é bárbaro, mas hey, é nosso lar.”

Assim, o filme caracteriza imediatamente o mundo árabe como estranho, exótico e “outro”, tal como discutimos no artigo “Dança do ventre e sua ocidentalização e globalização“. Os árabes, mesmo os que vivem no ocidente, vêem este desenho como a perpetuação do batido estereótipo do mundo árabe como um lugar de desertos e camelos, de crueldade arbitrária e barbárie. Logo depois que foi lançado no cinema, o filme recebeu uma avalanche de críticas. A arte não dava para a Disney mudar, mas a música sim, por isso a versão em DVD é mais branda. Uma pessoa do Comitê Americano Contra a Discriminação dos Árabes comentou:

“Fiquei com raiva e envergonhada quando ouvi as letras de Aladdin enquanto assistia ao filme. Eu só gostaria que o público não estivesse prestando muita atenção e não voltasse para casa com uma má imagem do mundo árabe”.

E ainda acrescentou:

“Eu só gostaria que a Disney tivesse nos consultado antes de desenvolver um filme, atingindo milhões de pessoas, com base em nossa cultura. ”

 

Árabes na Cultura Popular

A Disney não é de forma alguma a única agressora da cultura árabe. A cultura popular, incluindo aquela voltada para as crianças, é repleta de imagens negativas de mulheres árabes como sensuais dançarinas do ventre e garotas de harém, e homens árabes como terroristas violentos, “sheiks” do petróleo e marginais saqueadores que raptam mulheres ocidentais loiras (vocês verão isso em vários dos desenhos que foram analisados). Os árabes são frequentemente mostrados como vilões nos desenhos animados da TV, como o Batman da Fox Children Network‘s, por exemplo. Esse desenho animado retratava árabes fanáticos, de tez escura armados com espadas e espingardas como aliados de um “estrangeiro” planejando dominar a Terra.

As revistas costumam ter vilões árabes como um elemento gratuito em sua história: Tarzan luta com um chefe árabe que sequestra Jane, Superman elimina terroristas árabes que sequestraram uma transportadora nuclear dos EUA, o Quarteto Fantástico combate um hediondo sheik supervilão. Mas, como o analista de mídia libanês Jack Shaheen comenta, “nunca existiu um herói árabe para as crianças se alegrarem” (Shaheen 1980, p.5).

Retratos negativos dos árabes são encontrados em numerosos filmes populares, como True Lies, De Volta Para o Futuro, Indiana Jones e a Arca Perdida, dentre outros, sendo recorrente a maldição dos Três Bs: “Billionaires, Bombers or Belly Dancers”. [Vide as FONTES desse artigo]

Dança do ventre – Estereotipo – Cinema e Televisão
A formação dos estereótipos árabes através da televisão e do cinema.

 

Os estereótipos étnicos são especialmente prejudiciais na ausência de imagens étnicas positivas, criando um enorme desequilíbrio muito difícil de corrigir ao longo do tempo. Shaheen observa que os árabes são “raramente vistos como pessoas comuns, praticando leis, dirigindo táxis, cantando canções de ninar ou curando os doentes” (Shaheen, 1988, p.10).  Com dança ocorre a mesma coisa. É muito raro encontrar um filme, série ou desenho em que ela seja tratada com respeito, como forma de arte, tratada de maneira positiva e construtiva. O que sim ocorre é que a dança do ventre é colocada dentro deste contexto negativo, estereotipado e preconceituoso. Assim sendo, quando é retratada no cinema, TV ou desenhos acaba recebendo uma conotação negativa também. Jack Shaheen, professor emérito de Comunicações de Massa na Southern Illinois University, escreve que:

“A imagem do árabe na televisão é onipresente e está se tornando uma parte do folclore americano”.

 

A influência dos desenhos animados na construção do estereótipo da dança do ventre e da cultura árabe.

Serão aqui apresentados exemplos da influência dos desenhos na ocidentalização e na apropriação de elementos da cultura árabe, em especial a música e a dança, servindo (ainda que não propositalmente) como catalizador do Orientalismo iniciado séculos antes. O objetivo aqui não é avaliar o filme ou desenho e nem fazer juízo de valor, mas apenas tentar mostrar como o preconceito em relação à dança (e em alguns casos, outras características da cultura árabe) foi se construindo ao longo do tempo.

01 – MUTT e JEFF – Confusão Egípcia

A história toda se passa no Egito onde os personagens se envolvem em várias confusões.

O momento que queremos destacar é quando sai uma dançarina de dentro de sarcófago, fazendo movimentos de dança do ventre, dançando e rebolando de costas para o Jeff de maneira provocante. Ele tenta tampar um dos olhos, enquanto o Mutt tenta se esconder.

02 – As Aventuras do Príncipe Achmed

Baseado nas Mil e Uma Noites, conta a história de um príncipe num cavalo alado, que se apaixona por linda princesa. Para resgatar a sua amada, Achmed vai confrontar demônios, monstros e as maquinações de um pérfido feiticeiro.  As Aventuras do Príncipe Achmed é o mais antigo longa-metragem de animação da história do cinema, onze anos ante que “A Branca de Neve e os Sete Anões”, de Walt Disney. Realizado pela pioneira da animação de sombras Lotte Reineger, é um jogo simples de luzes e sombras.

A parte que retiramos do filme mostra quando o Príncipe Achmed chega na ilha Wak-Wak e entra em no harem das damas que servem a princesa Pari Banu. Elas ficam loucas por ele e começam beija-lo e tentam agrada-lo. Uma oferece comida, outra dança e etc. Ele se deita com a que dança e depois todos acabam fazendo uma “festinha” juntos até elas brigarem entre si e ele sair correndo.

03 – Gato Felix – “Arabiantics”

O Gato Felix encontra um tapete voador que o leva para a Arábia. Lá, ele troca o tapete por jóias, mas deve lidar com um sultão e seus ratos de estimação, que roubam as jóias para o seu harém.

Aparecem aqui elementos como a ostentação de riquezas, o harém, as mulheres do harém tratadas com jóias e a própria dança do ventre. Com relação à dança não há sensualização, mas é interessante ver como mostram que as mulheres não resistem ao som da música e que o Gato Felix sabia que os shimmies eram vibrações fortes o bastante para fazer as jóias saírem voando.

04 – Waffles e Don – Enganados no Egito

No início do desenho vemos os dois viajando pelo deserto em um camelo. Quando eles matam o camelo com socos, começa uma cena de pesadelo, com uma esfinge, pirâmides e mais camelos. Isso traz nossos heróis dentro de um túmulo egípcio, onde eles encontram esqueletos e hieróglifos dançando. De repente, há esqueletos em toda parte, e Don toca o piano com um deles. O desenho termina abruptamente com Waffles e Don correndo de um rosto de esfinge gigante hipnotizante.

Com estereótipo sútil, “Gypped in Egypt” apresenta vários elementos que foram recorrentes em desenhos sobre o Egito na época: hieróglifos dançando, cenas de pesadelo, cenas em corredores, múmias, dança do ventre. Sua maior característica é o caráter alucinante e surrealista, sendo difícil saber o que é alucinação e o que é realidade, ou se é uma alucinação dentro de outra. O momento que queremos destacar é quando um esqueleto sai do sarcófago e começa a dançar com snujs feitos de ossos. Vale ressaltar o caráter pejorativo do título. GYPPED é uma gíria que significa “enganado, trapaceado” e é uma palavra derivada de Gypsy, que significa “cigano”.

05 – Mickey Mouse – A Gangue na Corrente

Mickey é um prisioneiro quebrando pedras. Em um motim, ele escapa, mas é perseguido pelos cães dos guardas da prisão. Depois de um passeio de cavalo selvagem, Mickey atinge um poste e é catapultado para o ar e de volta para a prisão. Ocorre também a primeira aparição de um personagem que se tornaria Pluto.

Enquanto quebram pedras, os personagens aparecem fazendo movimentos de dança do ventre, sendo que o shimmie é executado por uma porquinha bem gorda. A parte que gostaria de destacar é melodia usada. Essa música não é original do Oriente Médio. A canção do encantador de serpentes conhecida como “The Streets of Cairo” (Ruas do Cairo) ou “The Poor Little Country Maid” (Pobre Empregada Doméstica) é uma melodia bem conhecida no mundo todo. A canção aparece frequentemente em desenhos quando algo está conectado com desertos, Arábia, Egito, dança do ventre ou encantador cobras, tendo se tornado ela própria parte do estereótipo.

Supostamente a versão original da canção foi escrita por Sol Bloom, um showman, que foi diretor de entretenimento da “World’s Columbian Exposition” em 1893. Incluía uma atração chamada “A Street in Cairo”, produzida por Gaston Akoun, que contou com encantadores de serpentes, passeios de camelo e uma escandalosa dançarina conhecida como Little Egypt. Sol Bloom usou pedaços de outras canções, principalmente francesas, para compor a música.

06 – O Coelho Oswald – Passeio de Carnaval

Oswald e sua namorada estão numa feira exótica com várias atrações, quando de repente aparece um pit bull que começa perturba-los. O cão flerta com a namorada do Oswald e as provocações e confusões só aumentam.

O momento que queremos destacar é quando Oswald e sua namorada vão a um carrinho de refresco para requisitar milk-shakes gelados. Para preparar os milk-shakes, o vendedor coloca o frasco entre as nádegas de uma dançarina do ventre escondida atrás da cortina, uma porquinha, que ao som de “Ruas do Cairo” faz vigorosos shimmies para preparar a bebida. Ao final, ela ainda joga um olhar encantador ao vendedor. O tratamento dado às mulheres não é degradante apenas para a dançarina, a própria namorada do Oswald sofre assédio e é molestada várias vezes. Além disso, observem a segunda barraca depois da barraca de milk-shakes. Não havia a necessidade de o cartunista colocar isso ali, mas foi colocado mesmo assim.

07 – Mickey Mouse – Mickey na Arábia

Mickey e Minnie estão andando nas costas de um camelo através do deserto da Arábia e chegam a uma cidade animada. Entrando, os ratos tomam algumas fotografias divertidas, enquanto o seu camelo bebe o conteúdo de um barril de cerveja. Enquanto Minnie Mouse se afasta com sua câmera de Mickey, que está posando para a foto, um sultão a rapta atrás de uma cerca. Mickey sai em sua perseguição. Descobrindo o palácio do sultão, o rato escala a parede e, através de uma janela, entra em uma sala do prédio, onde ele encontra uma desesperada Minnie lutando e sendo molestada pelo sultão.

Temos aqui vários problemas. O título do desenho se refere a Arábia, mas na prática eles misturam vários estereótipos do Oriente Médio como um todo, da África e da Índia. A vestimenta, os encantadores de serpente, o consumo de bebida alcoólica, as pessoas, os animais. Por exemplo, o camelo mostrado, com duas corcovas, não é comum da Arábia (e nem no oriente médio), ele é característico da Ásia Central. No oriente médio são usados dromedários. Isso é exatamente o que é tratado nos estudos da Dra. Barbara Sellers-Young. No ocidente, em especial nos USA, essa região é entendida como uma coisa só, uma região vista como “os outros”, fornecendo a ideia de “local vazio” (um lugar longe, vazio, lugar nenhum), com o sentimento de “não faz parte da minha cultura”, o que gera um terreno fértil para a construção de novas identidades e fantasias exóticas. Outros problemas são: as mulheres escravas acorrentadas dançando, o  estereótipo do sultão molestador de mulheres, a mulher com véu que joga charme para o Mickey depois da foto.

08 – O Reizinho – Sultão Esperto

O Reizinho – um monarca infantil e gorducho – tenta ensinar a seu cão alguns truques para executar em honra de um sultão visitante e seu harém, que estão chegando ao castelo para uma noite de alegrias e surpresas.

Assim que o sultão chega, as mulheres saem de dentro da carruagem dançando e logo que pisam no chão, já jogam charme ao Rei. Em um dado momento o cachorro rouba a calcinha de uma das moças e o sultão a dá de presente ao Rei, que a esconde dentro da roupa. O Reizinho alimenta o grupo em seu palácio real e então o assédio às mulheres começa e é a tônica do desenho até o final. Violência às mulheres também aparece quando o sultão mata uma com tiro, a única gordinha, passando a ideia que essas mulheres são descartáveis.

09 – Willie Whopper – Insultando o Sultão

Willie Whopper está na escola contando histórias para o seu colega. Ele fala de quando ele estava em Constantinopla com sua garota e uma cobra como um animal de estimação. O sultão sequestra sua namorada e ele tenta impedir. O sultão sai com ela em seu carro e Willie precisa lutar para recupera-la.

Aqui aparece novamente o estereótipo da mulher descartável. As dançarinas do ventre estão num palco para serem vendidas, compradas ou trocadas. O sultão descarta a gordinha e a enferrujada, que dançam e são chutadas. O sultão então se interessa e compra justamente a criança, a menina que estava com Willie. No palácio, o sultão a manda dançar e ela tenta alguns passinhos de dança do ventre para agradá-lo. Aparece ainda a ideia do harém cheio de mulheres loucas para se jogarem nos braços dos homens.

10 – Aladim e a lâmpada mágica

Aladim é um escravo que tem que limpar lâmpadas. Ele é uma criança que trabalha para um homem que troca lâmpadas velhas por novas. Em seguida, traz de volta as lâmpadas antigas para Aladim para polir e fazer parecer novas. Um dia, Aladim vê uma princesa passar por ele enquanto olha pela janela, e ele se apaixona por ela. Enquanto ele polia uma das lâmpadas velhas, um gênio sai e oferece Aladim a oportunidade de escapar do trabalho penoso de sua vida. Naturalmente, o desejo de Aladim é casar-se com a princesa, mas mesmo com a ajuda do gênio ele encontra alguns obstáculos, incluindo o do Sultão, que acidentalmente engole sua lâmpada.

Neste desenho aparece o estereótipo relacionado ao harém, o da banheira no centro do palácio, o da escrava negra cuidando da princesa e das dançarinas do ventre ao redor, dançando ao som do músico sentado ao chão. Essa é uma representação típica das pinturas orientalistas dos séculos XVIII e XIX.

11 – O galo sultão

Um galo é um sultão que está entediado com seu harém. Ele fica chamando dançarinas para anima-lo, mas reprova a dança e manda retira-las. Uma pata fortemente caracterizada como ocidental o seduz. Após danças e lutas pelo amor da pata, ela o abandona e o sultão, humilhado, volta para o seu harém, que dá uma surra nele.

Neste desenho aparece mais uma vez a recorrente ideia do harém, das mulheres que são tratadas com descaso e que estão ali para satisfazer o homem, sendo a dança parte do que é esperado delas para entretê-lo.

12 – Gaguinho no Egito

Após cenas do Egito, uma placa para uma viagem para ver as pirâmides no Egito é mostrada. A excursão então procede e sai com uma grande caravana de camelos. Porky (Gaguinho) é um turista e ele perde o camelo principal, por isso ele precisa alugar um ele mesmo. Ao cruzar o deserto, ambos são logo afetados pelo sol quente do deserto. O camelo começa a alucinar completamente, ele marcha, toca gaita, ouve vozes e vê coisas. Gaguinho vê o camelo nadando em uma piscina, mas acaba por ser uma miragem. O camelo finalmente se recupera o suficiente para trazer os dois de volta para a cidade, onde dessa vez é Gaguinho que fica alucinado.

O momento que gostaria de destacar é começo do desenho, com cenas mostradas sobre o Egito. Aparece, ainda que de maneira curta, a visão estereotipada já comentada anteriormente, em que vários elementos culturais de diferentes regiões são misturados e tratados como uma coisa só. Por exemplo, o Faquir sobre a cama de pregos é característico da Índia, e não do Egito. Aparece também o estereótipo da mulher sensual, conquistadora, com roupas transparentes e jogando charme para os homens, que não resistem e assobiam. Há ainda uma crítica à religião, onde mostram homens aparentemente orando, mas que na verdade estão jogando e se divertindo.

13 – Pato Donald – Diversões de um centavo

Dentro de uma galeria de jogos tipo arcade, Donald insere uma moeda para jogar um “mudo-oscope” chamado “A Dança Dos Sete Véus”. Os retratos mostram danças da pata Margarida e várias poses com véus. Ela vai tirando os véus e deixando Donald cada vez mais louco, até que dá problema na máquina quando faltavam os 2 últimos véus.

O ponto a ser discutido aqui é como a ideia da dança altera o comportamento do Donald. Isso desde o começo quando ele lê “a dança dos sete véus” até o momento que a Margarida está prestes a tirar os últimos véus. Observe a expressão do rosto. A pior parte, porém, é a sombra projeta na parede. Que é nitidamente a sombra de um demônio, dando a entender que a dança despertou isso no Donald. Para entender melhor, cheque as Notas desse artigo. [Nota 11]

14 – O Aniversário do Sultão

No aniversário do sultão, a cidade inteira está comemorando. As pessoas trazem ao Sultão um bolo de aniversário e alguns presentes. Um dos presentes consiste em uma ratinha “sexy” em um traje da fantasia de harém. Ela começa a dançar para o sultão. O sultão e todos os outros assistindo a performance mostram estar gostando, e até mesmo os edifícios começam a dançar. No final, até o narrador elogia a beleza da dançarina e assovia.

A dancinha é bonitinha e o desenho também, porém entendo haver alguns pontos de reflexão e discussão. A dançarina ser dada como presente, junto com os demais entregues, sugere que ela pode ser tratada como um objeto. Ainda que a intenção possa não ter sido essa, essa é uma das possíveis mensagens passadas. Alguns podem questionar que o presente foi a dança e não a dançarina e que isso é uma prática que ocorre mesmo nos dias de hoje. Sim, pode ser, mas mesmo assim, acredito que não seja positivo uma dança sensual direcionada exclusivamente para uma pessoa numa festa de aniversário, muito menos com interação e toque como no desenho. Não é positivo para a imagem da dança do ventre. Um outro ponto que podem discordar é quanto às imagens logo após os 3 dançarinos com espadas, todas têm aspecto fálico, tanto as janelas quanto as torres [02:26 a 02:31]. Por fim, o estereótipo de “femme fatale” é reforçado durante todo o desenho. Tanto sobre o efeito que ela exerce sobre todas as pessoas presentes, sobre as torres que dançam, sobre a enorme esquadra de gatos que fazem guerra para sequestra-la, sobre o sultão, sobre o Super Mouse e até mesmo sobre o narrador e seu time, os fazendo assoviar. [Nota 12]

15 – Super Mouse – A lâmpada de Aladim

Na Arábia, a bela filha de Aladim está muito infeliz. Graças à sua lâmpada mágica, Aladim pode dar à princesa o que ela quiser. Mas carros novos, anéis de diamante e meias de nylon não fazem a fazem feliz. Tudo o que ela quer é Super Mouse. Sua situação piora quando um gato bandido a sequestra. Cabe ao Super Mouse salvar o dia nesta paródia cantada.

Aparecem neste desenho o estereótipo da bela mulher com pouca roupa e roupa transparente, as pernas dançando ao som da música “Streets of Cairo” e o assovio devido à beleza da garota.

16 – Pernalonga – Aladim na sua lâmpada

Enquanto cavava um novo buraco de coelho, Pernalonga encontra a lâmpada mágica de Aladim. Da lâmpada sai um exuberante gênio, mas não cooperativo gênio. Pernalonga dirige-se para Bagdá, onde é perseguido por Hassan Pheffer, um califa louco que tenta tirar a lâmpada dele.

Aqui aparece novamente o conceito do harém [4:26 a 4:41]. O Pernalonga entra por uma porta azul e sai correndo ao som de várias vozes de mulheres gritando. Ele diz “um harém, eu acho” e faz uma cara de conquistador. O Gênio então espia pela porta e ouve-se mais gritos e então começa a tocar “Streets of Cairo”. O Gênio diz “aquilo era um harém seu tonto. Eu conheço um harém quando vejo um”, tampando o rosto com mão, mas abrindo os dedos para poder ver. No final, o gênio atende um desejo do Pernalonga, que aparece entre as garotas do harém, sendo servido.

17 – Faísca e Fumaça – A tumba do rei Tut

Faísca e Fumaça vão para o deserto egípcio no Norte de África para encontrar o túmulo do rei Tut e tesouros. Ao escavar em cima do túmulo do faraó, os corvos perturbam as criaturas locais, sendo quase mortos por múmias, monstros, esqueletos e um enxame de cupins. Em uma das cenas aparece uma gata dançando dança do ventre e os corvos tentam agarra-la.

Inicialmente eu havia elogiado esse desenho pela ausência do estereótipo da erotização e por não trazer elementos degradantes para a cultura árabe. O problema ficava restrito ao fato do corvo tentar agarrar a dançarina. Porém, posteriormente descobri que essa cena toda, incluindo as dançarinas nos tambores, foi retirada de um desenho um pouco mais antigo. O estúdio Terrytoons estava passando por dificuldades e passou reaproveitar pedaços de desenhos. Pois bem, o desenho original, ao qual a cena da dança faz parte, traz o típico estereótipo orientalista de harém, com direito a piscina no centro da sala e as gatinhas (as do batuque) tomando banho.

18 – Mr Magoo – As Mil e Uma Noites

Este é um longa-metragem muito engraçado do Mr Magoo em uma adaptação dos contos das Mil e Uma Noites através de uma paródia da história de Aladim. Aqui trazemos apenas um pedaço do filme onde aparecem elementos da dança do ventre.

Aladim é um jovem preguiçoso e tímido e para resolver isso Mr Magoo decide que ele deve se casar. Para isso, um amigo de Magoo envia de Damasco suas 3 filhas. Quando elas chegam, mesmo sendo quase cego, os olhos de Magoo saltam pela beleza das 3. Elas aparecem com a vestimenta característica de mulheres de harém segundo a concepção ocidental do estereótipo vigente na época, ou seja, com véu no rosto e usando pouca roupa de modo a expor o corpo de maneira sensual. Elas entram dançando e Aladim deve então escolher uma. Ele não consegue escolher e sai correndo, com elas correndo atrás dele. Aqui, a ideia que se passa, ainda que de maneira sutil e provavelmente não intencional, é aquela da mulher fácil, mulher objeto, que está ali para ser escolhida como uma fruta e que para isso usa o corpo e dança para ser favorecida.

19 – Mr. Piper – A história de Ali Baba

Esse episódio é uma adaptação da história de Ali Baba e os 40 ladrões. Em determinado momento, Ali Baba convida o líder dos ladrões para jantar em sua casa. Enquanto esperam, Ali Baba pede para sua esposa dançar para o convidado. Ela então faz uma apresentação de dança do ventre com véu para eles.

Bem, temos aqui dois problemas referentes à visão ocidental e ao estereótipo e da dança árabe. Primeiro, uma esposa árabe jamais dançaria para um convidado homem, muito menos este não sendo parte de sua família. Segundo, o uso do véu durante a dança. Ainda que isso possa ser hoje comumente encontrado as apresentações de dança do ventre no oriente médio, o uso desse adereço é uma invenção ocidental e midiática que surgiu por volta do começo do século 20. Tudo bem que é lindo e se espalhou pelo mundo afora, assim como o uso da espada, porém não faz parte da dança árabe tradicional (ou pelo menos não fazia…)

20 – Alladin, Disney – Dança do Ventre

Aqui, separamos apenas a cena com as dançarinas do ventre. Podemos ver que se repete o problema da sensualização, com as dançarinas aparecendo quase nuas, com curvas acentuadas e se oferecendo para o homem, neste caso, Aladdin. A questão do fetiche fica subentendida, uma vez que o contexto são os possíveis desejos de Aladdin. [nota 13]

Alguns outros problemas encontrados são

  • Aladdin corre para uma casa que tem muitas mulheres escassamente vestidas dançando ao redor e uma mulher maior que parece estar no comando da casa.
  • Jasmine sempre usa uma roupa que deixa sua barriga de fora. Além disso, Jafar a faz usar ainda menos roupas e algemas quando ele se torna Sultão.
  • A chegada do príncipe Ali é marcada com muitas mulheres dançando e usando poucas roupas.
Dança do ventre – Estereotipo – Alladin - Harém
Um dos principais estereótipos em Alladin é maneira erótica e sensual das figuras femininas, em especial nas cenas de dança.

 

Segundo Brittany Mitrick, que estudou o filme, as categorias de estereótipos que aparecem são mulheres erotizadas, bárbaros, vilões, pele escura, ignorantes, percepção negativa das mulheres, ávidos por riqueza, desumanização e generalização. A maioria dessas categorias são autoexplicativas. A percepção negativa das mulheres se concentra na falsa percepção de que as mulheres árabes não têm direitos. A categoria orientada para a riqueza se concentra no estereótipo de que os árabes farão qualquer coisa por dinheiro. O filme tem várias instâncias de comerciantes no mercado tentando forçar as pessoas a comprarem suas coisas; se eles são contrariados, sempre tentam negociar. A categoria de generalização é estúpida estereótipos sobre a vida cotidiana e a cultura dos árabes que as pessoas pensam que são verdadeiras depois de assistir este filme. Estes consistem na ideia de que o único transporte disponível são camelos, todo o país é deserto, e todos os árabes podem deitar em uma cama de pregos ou andar sobre pedras quentes, que todos os árabes são vilões ou terroristas. Porém os estereótipos mais destacados no filme são mulheres erotizadas, percepções negativas das mulheres e as generalizações dos árabes como um todo.

Dança do ventre – Estereotipo – Gráfico
Resultado da pesquisa de Brittany Mitrick sobre os estereótipos no filme Alladin da Disney.

21 – Os Simpsons

Nesse episódio (“Homer’s Night Out”), uma sexy dançarina do ventre, chamada Princesa Kashmir, chega para dançar numa despedida de solteiro. É aqui que Bart tira a foto de Homer dançando ao lado da dançarina do ventre, que é retratada como stripper e de maneira degradante e machista. Essa foto gira a cidade e causa muita confusão. No dia seguinte Homer vai para casa pedir desculpas a Marge. Para sua surpresa, ele descobre que o que a incomodou não foi o que ele fez, mas sim o que Bart viu e que um dia poderá interpretar erroneamente isso como um sinal de que não tem problema tratar mulheres como objetos sexuais. Porém, todo o resto do desenho é muito positivo, com Homer tentando consertar o que ele fez. É passado uma mensagem construtiva de respeito às mulheres e também sobre a educação dos filhos.

Pois bem, o problema não é esse episódio, mas sim os outros que vieram nos 25 anos seguintes. O que ocorre é que esse episódio é de 1990 e a Princesa Kashmir apareceu pela primeira vez nele. Depois dessa primeira aparição, que teve uma mensagem positiva, ela aparece em pelo menos mais 20. Além disso, ela também aparece no filme, nos comerciais de TV, em revistas em quadrinhos e até em vídeo game. E em parte dessas aparições ela é sim retratada como stripper, direta ou indiretamente. Além disso, ela aparece envolvida com vários diferentes homens ao longo do seriado. Por essas razões, pelo conjunto da obra, Os Simpsons retrata a dança do ventre de maneira negativa. Na verdade, sabe-se que a Princesa Kashmir foi concebida para ser uma stripper com roupas de dança do ventre, mas a Fox censurou, por isso eles precisaram descaracterizar um pouco, mas mantiveram o estereótipo árabe, com músicas e  movimentos que lembram a dança do ventre.

O problema do estereótipo da dança do ventre não se restringe às produções americanas

Os dois exemplos a seguir mostram que o problema dos estereótipos é global, não se restringindo apenas aos americanos.

22 – As Viagens de Gulliver

Gulliver’s Travels é uma produção europeia (Inglaterra/Bélgica), baseada no romance de mesmo nome de Jonathan Swift. Ele mistura personagens reais com animação, tendo Richard Harris como ator principal.
Recortamos a cena de dança do ventre. Os problemas aqui são os trajes da dançarina, que mostra inclusive os seios, o conceito do harém e a representação do Sultão como um porco glutão.

 

23 – Suisei no Gargantia

Suisei no Gargantia (Aquosa Gargantia) é um anime japonês produzido pelo estúdio de animação Production I.G, roteirizado por Gen Urobuchi e dirigido por Kazuya Murata. O primeiro episódio foi ao ar em 7 de abril de 2013.

Bem, esse aqui não precisa dizer muita coisa. As imagens falam por si só…

O processo de formação do estereótipo através da televisão e do cinema

Dança do ventre – Estereótipo – Lavagem cerebral
Muitas pessoas tratam a televisão e o cinema como suas principais janelas para o mundo exterior e, sem se dar conta que as lentes estão distorcidas, aceitam como realidade o que lhes é apresentado.
Dança do ventre – Estereótipo – Hollywood - James Bond
Os filmes, ainda mais que os desenhos, são uma grande fonte de criação de estereótipos ou de reforço daqueles já existentes.

O último século foi marcado por um aumento exponencial do número de programas de TV e filmes em todo o mundo, sendo a indústria cinematográfica americana dominante globalmente. Em outras palavras, o conteúdo de tais filmes influencia as pessoas em todo o mundo e não apenas nos EUA. Esse fato tem repercussões sinistras. Por exemplo, muitas pessoas assistem televisão religiosamente. Além disso, para eles, a televisão é a única saída para o mundo exterior, uma vez que não leem sobre outras culturas ou interagem com membros de tais culturas. Seu primeiro contato com aquelas culturas é através da tevê e suas impressões serão ditadas por o que eles prestam atenção. Para o resto de suas vidas, esta imagem dos árabes (e da dança do ventre por consequência) que foi alimentada pela TV será enraizada em suas mentes e irá influenciar grandemente suas ações e comportamento.

Os filmes, ao contrário dos livros, evocam os sentidos de uma maneira muito apaixonada. Durante o curso de um filme, as imagens são apresentadas de forma gráfica, e são acompanhadas por ruídos altos. Esta mistura de imagem e som nos é apresentada de uma forma muito rápida. Portanto, o que fazemos é absorver esse influxo de dados sensoriais de uma maneira rápida e inconsciente, o que nos impede ou dificulta fazer julgamentos sensatos. Em vez disso, interagimos com o filme e nos sentimos envolvidos no progresso de seus eventos. Além disso, os julgamentos que fazemos são impostos a nós pelo filme. Por exemplo, a maioria das pessoas, se não todo mundo, anima-se e torce pelos heróis e não gosta do lado oposto “mal” porque o filme diz-lhes que um lado é bom e outro não é. Portanto, o maior problema que enfrentamos hoje é que não podemos distinguir entre o que é verdadeiro no cinema e o que não é. Se os filmes nos dizem que os árabes são ruins e que a dança do ventre é algo vulgar, então as pessoas tendem a acreditar nisso, especialmente se a mensagem é repetida maciçamente ao longo do tempo.

 


NOTAS:

[Nota 11]

Salomé e a Dança dos Sete véus

Dança do ventre – Estereótipo – Femme Fatale - Salomé
Na primeira metade do século passado houve uma febre entorno de Salomé, tendo sido produzidas muitas peças, filmes e matérias sobre o assunto. Vista como mulher fatal, tinha o poder de despertar o lado mais sombrio dos homens, podendo leva-los à ruína.

A “Dança dos Sete Véus” é a dança de Salomé realizada para Herodes Antipas. É uma interpretação sobre a história bíblica da execução de João Batista, que se refere a Salomé dançando diante do rei, mas não dá à dança um nome. O nome “Dança dos sete véus” se origina da tradução inglesa de 1893 da peça de teatro de Oscar Wilde na direção de palco “[Salomé dança a dança dos sete véus]”. A dança também foi incorporada na ópera Salomé de Richard Strauss. A escolha de Wilde ao título para a dança foi devido à popularidade orientalista da “danças dos véus” naquela época e também ao surgimento dos atos de strip-tease.

A ideia de que a dança de Salomé envolveu “sete véus” se origina com peça Salomé, de Wilde, em 1891. Wilde foi influenciado por escritores franceses anteriores que tinham transformado a imagem de Salomé em uma encarnação da luxúria, da fêmea fatal. Rachel Shteir escreve que, para os franceses, Salomé não era uma mulher, mas uma força bruta e insensível. E Mallarmé a descreve como inescrutável: “o véu sempre prevalece”.  Huysmans se refere a ela como a encarnação simbólica da luxúria eterna, a monstruosa Besta, indiferente, irresponsável, insensível. O herói de Huysmans, Des Esseintes, a caracteriza como uma “figura estranha e super-humana com a qual sonhara … … em seus seios trêmulos, … agitando barriga, … jogando as coxas … ela agora era revelada como o símbolo encarnado do vício do velho mundo”.

 

[Nota 12]

La Femme Fatale

Dança do ventre – Estereótipo – Femme Fatale – Mata Hari
Mata Hari, conhecida por sua paixão pela dança do ventre, a usava como arma de sedução. Acusada de espionagem, foi condenada à morte por fuzilamento durante a Primeira Guerra Mundial.

A “femme fatale” (mulher fatal) é uma personagem representando uma mulher misteriosa e sedutora, cujos encantos atraem seus amantes, muitas vezes levando-os a situações comprometedoras, perigosas e mortíferas. A mulher fatal é um arquétipo da literatura e da arte. Sua habilidade de entrar e hipnotizar sua vítima com um feitiço estava nas primeiras histórias vistas como sendo literalmente sobrenaturais. Por isso, a femme fatale é ainda hoje muitas vezes descrita como tendo um poder semelhante a uma feiticeira, sedutora, vampira, bruxa ou demônio, tendo poder sobre os homens. No filme americano do início do século XX, os personagens de femme fatale eram chamados de vampiros, uma alusão ao seu papel de vampiros sexuais. A expressão é francesa para “mulher fatal”. Uma femme fatale tenta alcançar seu objetivo oculto usando truques femininos, como beleza, charme e sedução sexual. Em algumas situações, ela usa mentiras ou coerção ao invés de charme. Ela também pode fazer uso de alguma arma subjugadora, como o gás para dormir, um análogo moderno para os poderes mágicos nos contos mais antigos. Ela também pode ser (ou implicar que ela é) uma vítima, presa em uma situação da qual ela não pode escapar. A Dama de Xangai (um filme noir de 1947) é um exemplo. Um dos traços mais comuns da femme fatale incluem a promiscuidade e a “rejeição da maternidade”, visto como “uma de suas qualidades mais ameaçadoras, pois negando sua imortalidade e sua posteridade leva à destruição final do macho”. Femmes fatale são tipicamente vilãs, ou pelo menos moralmente ambíguas, e sempre associadas a um sentimento de mistificação e desconforto.

 

[nota 13]

Aladdin ou Aladim?

Aladim é o nome do personagem que aparece nos contos árabes reunidos na obra das “Mil e Uma Noites”. É a tradução formal do árabe ao português e era a única grafia existe até 1992. Por essa razão, os corretores ortográficos forçam usar essa grafia e marca como errado todas as outras.

Aladdin é o nome do filme da Disney de 1992 cujo personagem principal também se chama Aladdin, fazendo referência ao Aladim dos contos árabes.

Atualmente, tanto na mídia quanto na literatura, as duas grafias erroneamente se misturaram, sendo que às vezes vemos “Alladin” se referindo ao personagem dos contos ou a obras passadas e “Aladim” se referindo ao filme ou ao personagem da Disney.


FONTES:


Para saber MAIS:

  1. Simon, Scott J. Arabs in Hollywood: An Undeserved Image, Northeastern University
  2. Enayat, Hamid. Modern Islamic Political Thought. Austin, TX: U of Texas P, 1982.
  3. Michalak, Laurence. “Cruel and Unusual: Negative Images of Arabs in Popular Culture.” Washington, DC: ADC Research Institute,1988. ERIC ED 363 532.
  4. Shohat, Ella and Robert Stain. Unthinking Eurocentrism. London: Routledge, 1994.
  5. Truxal, Marilyn R. “Increasing Teacher/Parent Awareness of Developmentally Appropriate Movies for 3-6 Year Olds Through Use of a Rating Scale.” Unpublished dissertation, Nova Southeastern University, 1994. ERIC ED 371 873.
  6. Watson, Peter. “Aladdin is not an Actor.” The New York Times February 1993, A15.
  7. Weinraub, Bernard. “Films and Recordings Threaten Nation’s Character, Dole Says.” The New York Times I June 1995, AI.
  8. Shaheen, Jack. (1998) The media image of Arabs. Newsweek, p.10.
  9. Sheheen, Jack. (1980). The influence of the Arab stereotype on American children.

Seção +Quero MAIS+

Relação de filmes americanos onde aparece dança do ventre (em situações positivas ou negativas), ou aparece a mulher árabe em contexto degradante ou em que os árabes em geral são tratados com estereótipos.

 

1921 – The Sheik
1926 – Son of the Sheik
1931 – Mata Hari
1932 – Chandu the Magician
1934 – Cleopatra
1938 – Wee Wee Monsieur
1939 – The Hunchback of Notre Dame
1942 – Arabian Nights
1942 – Casablanca
1942 – The Road to Morocco
1944 – Abbott & Costello Lost in a Harem
1944 – Cobra Woman
1944 – Kismet
1945 – Salomé, Where She Danced
1946 – Night and Day
1947 – Song of Scheherazade
1949 – Bagdad
1949 – On the Town
1950 – Abbott & Costello In the Foreign Legon
1951 – David and Bathsheba
1952 – Son of Ali Baba
1953 – Salomé
1954 – Egyptian, The
1954 – King Richard & the Crusaders
1954 – Princess of the Nile
1954 – Valley of the Kings
1954 – Yankee Pasha
1955 – Abbott & Costello Meet the Mummy
1955 – Kismet
1955 – Son of Sinbad
1956 – Invitation to the Dance
1956 – Conqueror, The
1956 – Ten Commandments
1956 – Zarak
1959 – Solomon and Sheba
1960 – Exodus
1960 – Two Faces of Dr. Jekyll
1961 – Dead One, The
1961 – Rocket Attack USA
1962 – 300 Spartans
1962 – Days of Wine & Roses
1962 – Ride the High Country
1962 – Sodom and Gomorrah
1963 – Cleopatra
1963 – Jason & the Argonauts
1964 – Brass Bottle
1964 – Curse of the Mummy’s Tomb
1964 – Diary of a Bachelor
1964 – Good Neighbor Sam
1964 – Roustabout
1964 – Topkapi
1965 – Harum Scarum
1965 – Devils of Darkness
1965 – Flight of the Phoenix
1965 – Harum Scarum
1965 – House of the Black Death
1965 – John Goldfarb, Please Come Home
1965 – She
1966 – Cast a Giant Shadow
1966 – Beau Geste
1966 – Cast a Giant Shadow
1966 – Dead Heat on a Merry-Go-Round
1966 – Funny Thing Happened on the Way to the Forum
1966 – The Girl from S.I.N.
1966 – Khartoum
1966 – Last of the Secret Agents
1966 – Moonlighting Wives
1966 – Spy With a Cold Nose
1966 – Swinger, The
1967 – Barefoot in the Park
1967 – Casino Royale
1967 – The King’s Pirate
1968 – Curse of the Crimson Altar
1968 – Duffy
1968 – Head
1968 – The Hell With Heroes
1968 – Monster & the Stripper
1969 – Justine
1969 – Marlowe
1969 – Some Kind of a Nut
1969 – The Witchmaker
1970 – Five Easy Pieces
1970 – How Do I Love Thee?
1970 – Rabbit, Run
1970 – Song of Norway
1970 – You Can’t Win ‘Em All
1971 – Countess Dracula
1971 – Exotic Dreams of Casanova
1971 – The Projectionist
1971 – The Snake People (La Muerte Viviente)
1974 – Golden Voyage of Sinbad
1974 – Impulse
1975 – Wham Bam Thank You Spaceman
1976 – Network
1976 – Ilsa, Harem Keeper of the Oil Sheiks
1976 – Harry and Walter Go to New York
1976 – Ilsa, Harem Keeper of the Oil Sheiks
1977 – The Happy Hooker Goes to Washington
1977 – Black Sunday
1977 – Happy Hooker Goes to Washington
1977 – Rollercoaster
1977 – Sinbad & the Eye of the Tiger
1978 – Harold Robbins’ The Pirate
1978 – The Man With Bogart’s Face
1978 – Sketches of a Strangler
1979 – Chapter Two
1979 – Arabian Adventure
1979 – China Syndrome
1979 – Fairy Tales
1979 – King Frat
1980 – Can’t Stop the Music
1981 – Raiders of the Lost Ark
1981 – Rollover
1981 – Condorman
1981 – History of the World
1981 – Your Ticket Is No Longer Valid
1982 – Conan the Barbarian
1982 – Paradise
1982 – Ten Violent Women
1982 – Things Are Tough All Over
1983 – Never Say Never Again
1983 – Sahara
1983 – Sahara
1983 – Something Wicked This Way Comes
1983 – Videodrome
1984 – Cannonball Run II
1984 – Protocol
1984 – Bolero
1984 – Romancing the Stone
1985 – Back to the Future
1985 – Young Sherlock Holmes
1985 – The Jewel of the Nile
1985 – Hell Squad
1985 – Crime Killer
1985 – The Key to Rebecca
1985 – Young Sherlock Holmes
1986 – The Delta Force
1986 – Iron Eagle
1986 – Hell Squad
1986 – Stoogemania
1987 – Death Before Dishonor
1987 – Wanted: Dead or Alive
1987 – Deathstalker II
1988 – The Taking of Flight 847: The Uli Derickson Story
1988 – Rejuvenatrix
1988 – Salomé’s Last Dance
1988 – Warlords
1989 – Indiana Jones and the Last Crusade
1989 – Outlaw of Gor
1990 – The Bonfire of the Vanities
1990 – Navy SEALs
1990 – Extreme Vengeance
1990 – Meridian
1991 – Hitman
1991 – Once Around
1991 – Wizards of the Demon Sword
1992 – Patriot Games
1992 – Aladdin
1993 – Son of the Pink Panther
1993 – Deadly Rivals
1993 – Life With Mikey
1993 – Son of The Pink Panther
1994 – Bloodfist VI: Ground Zero
1994 – True Lies
1994 – Don Juan de Marco
1994 – Last Resort
1994 – Psychic Detective
1995 – Father of the Bride Part II
1995 – Before Sunrise
1995 – Cyberjack
1995 – Party Girl
1996 – Executive Decision
1996 – From Dusk Till Dawn
1996 – Island of Dr. Moreau
1996 – Mr. Wrong
1997 – Delta Force
1997 – The Hunchback
1998 – Ernest in the Army
1998 – The Siege
1999 – The Mummy
1999 – Wild Wild West
2000 – Rules of Engagement
2000 – Gladiator
2000 – Charlie’s Angels
2000 – Traveler’s Gin
2002 – Black Hawk Down
2002 – Queen of the Damned
2002 – The Scorpion King
2003 – Eve’s Fire
2004 – Alexander
2004 – Around the World in 80 Days
2004 – Troy
2006 – Click
2007 – Charlie Wilson’s War
2007 – Joe Strummer: The Future Is Unwritten
2012 – Assassin’s Bullet
2016 – Young Messiah

Árabes no cinema e na televisão: Uma Bibliografia de Materiais na Biblioteca da UC Berkeley

Aguayo, Michelle. “Representations of Muslim Bodies in The Kingdom: Deconstructing Discourses in Hollywood.” Global Media Journal: Canadian Edition, 2009, Vol. 2 Issue 2, p41-56, 16p

Ahmed, Akbar S. “Hello, Hollywood: your images affect Muslims everywhere.” (The West and Islam) New Perspectives Quarterly, Spring 2002 v19 i2 p73-75

Akram, Susan M. “The aftermath of September 11, 2001: The targeting of Arabs and Muslims in America.” Arab Studies Quarterly (ASQ) (Spring-Summer 2002): 61(58).

Blauvelt, Christian. “Don’t Tell Anyone Your Real Name Or You’ll Never Work Again”. Entertainment Weekly, 10/14/2011, Issue 1176/1177, p38-42, 4p

Burris, Gregory. “Sultans of the Silver Screen: The Turk in Reactionary Cinema.” Journal of Popular Film and Television v. 35 no. 4 (Winter 2008) p. 164-72

Curtiss, Richard H., Delinda C. Hanley. “Dr. Jack Shaheen Discusses Reel Bad Arabs: How Hollywood Vilifies a People.” (Interview) Richard H. Curtiss, Delinda C. Hanley. Washington Report on Middle East Affairs July 2001 v20 i5 p103 (1858 words)

Deep, Kim. “Deconstructing Hollywood: negative stereotyping in film.” (media section) Women in Action, Dec 2002 i3 p57(3)

Dodd, Philip. “Homelands.” (Arab culture in European cinema) (Interview) Sight and Sound Feb 1992 v1 n10 p18(4)

Edwards, Brian T. “Yankee pashas and buried women: containing abundance in 1950’s Hollywood Orientalism.” Film & History Vol XXXI nr 2 (2001); p 13-24

Eisele, John C. “The Wild East: Deconstructing the Language of Genre in the Hollywood Eastern.” Cinema Journal – 41, Number 4, Summer 2002

Elliott, Deni. “Terrorists we like and terrorists we don’t like.” In: Images that injure : pictorial stereotypes in the media / edited by Paul Martin Lester and Susan Dente Ross ; foreword by Everette E. Dennis. Edition 2nd ed. Westport, Conn. : Praeger,        c2003.

Ezroura, Mohamed. “The Images of ‘Other’ in American Cinema: The Meaning of Poking Fun at Others in Ishtar.” Indian Journal of American Studies. 25 (2): 55-62. 1995 Summer.

Fahdel, Abbas. “An Orient of myth and mystery.” (Strangers on the Screen) UNESCO Courier Oct 1989 p24(6) (1671 words)

Francaviglia, Richard. “Crusaders and Saracens: Orientalism in Historically Themed Motion Pictures about the Middle East.” In: Lights, camera, history : portraying the past in film / edited by Richard Francaviglia and Jerry Rodnitzky ; with an introduction by Peter C. Rollins ; contributions by Robert Rosenstone … [et al.]. 1st ed. College Station : Published for the University of Texas at Arlington by Texas A&M University Press, c2007.

Fuller, Linda. “Hollywood Holding Us Hostage: Or, Why Are Terrorists in the Movies Middle Easterners?” In: The U.S. media and the Middle East : image and perception. Edited by Yahya R. Kamalipour ; foreword by George Gerbner. Westport, Conn. : Greenwood Press, 1995.

Georgakas, Dan (ed.). “The Arab Image in American Film and Television.” Cineaste, vol. 17 no. 1. 1989. pp: 1-24.

Galford, Hugh S. “Portraits of Prejudice. (Arab-American Activism).(Brief Article).” Washington Report on Middle East Affairs 20.9 (Dec 2001): 88(1).

Goodstein, Laurie. “Hollywood now plays cowboys and Arabs; with Arab-Americans cast mostly as Muslim extremists, anti-defamation groups are beginning to speak out.” The New York Times Nov 1, 1998 v148 s2 pAR17(L) col 1 (36 col in) I have a suggestion for an article that I strongly recommend for inclusion in “the Arabs in Film and Television: A Bibliography of Materials in the UC Berkeley Library”

Halse, Rolf. “The Muslim-American Neighbour as Terrorist: The Representation of a Muslim Family in 24”, Reconstruction: Studies in Contemporary Culture, 2011, Volume 11.4.

Hanania, Ray. “One of the bad guys?” Newsweek. New York: Nov 2, 1998. Vol. 132, Iss. 18; pg. 14, 1 pgs

Holsinger, Jennifer Leila. “Media Stereotypes and the Arab.” In: Residential patterns of Arab Americans : race, ethnicity and spatial assimilation / Jennifer Leila Holsinger. El Paso : LFB Scholarly Pub., 2009.

Jabara, Abdeen; others. “The Arab image in American film and television.” Cineaste Vol XVII nr 1 (1989); p Suppl.1-4

Jackson, Nancy Beth. “Arabs and Arab Americans : ancient Middle East conflicts hit home.” In: Images that injure : pictorial stereotypes in the media / edited by Paul Martin Lester and Susan Dente Ross ; foreword by Everette E. Dennis. Edition 2nd ed. Westport, Conn. : Praeger, c2003.

Jones, Arthur. “Stereotyping and double standards in ‘Hollywood Islam’.” National Catholic Reporter. Nov 20, 1998. Vol. 35, Iss. 5; p. 17 (1 page)

George Irani, an international relations scholar and an Arab Christian, offers his thoughts on whether the new movie “The Siege” is anti-Arab and anti-Muslim.

Khatib, Lina (Lina H.). Filming the modern Middle East : politics in the cinemas of Hollywood and the Arab world London ; New York : I.B. Tauris ; New York : Distributed in the United States by Palgrave Macmillan, 2006.

Kozlovic, Anton Karl. “Islam, Muslims and Arabs in the Popular Hollywood Cinema.” Comparative Islamic Studies, Dec2007, Vol. 3 Issue 2, p213-246, 34p

Lant, Antonia. “The Curse of the Pharaoh, or How Cinema Contracted Egyptomania.” October, Vol. 59. (Winter, 1992), pp. 86-112.

Loshitzky, Yosefa. Identity politics on the Israeli screen / Yosefa Loshitzky. 1st ed. Austin : University of Texas Press, 2001.  Main Stack PN1993.5.I86.L37 2001

Loshitzky, Yosefa. “Orientalist Representations: Palestinians and Arabs in Some Postcolonial Film and Literature.” In: Cultural encounters : representing ‘otherness’ / edited by Elizabeth Hallam and Brian V. Street. pp: 51-71. London ; New York : Routledge, 2000. Sussex studies in culture and communication. Anthropology GN495.6.C83 2000

Majaj, Lisa Suhair. “Reel Bad Arabs.” Cineaste: America’s Leading Magazine on the Art and Politics of the Cinema. 28 (4): 38-39. 2003 Fall.

Mandel, Daniel. “Muslims on the silver screen.” Middle East Quarterly Spring 2001 v8 i2 p19(12)

Marrison, James. “Arabs not the first: to be blown away by the movies.” Afterimage March-April 2004 v31 i5 p14(1) (1644 words)

Michalek, Laurence. “The Arab in American Cinema: A Century of Otherness.” Cineaste: America’s Leading Magazine on the Art and Politics of the Cinema. 17 (1): 3-9. 1989.

Michalek, Laurence. “Cruel and Unusual: Negative Images of Arabs in American Popular Culture.” American-Arab Anti-Discrimination Committee Issue Paper No. 15.

Muravchik, Joshua. “Terrorism at the Multiplex.” Commentary Jan 1999 v107 i1 p57(1) (2743 words)

Nadel Alan. “A whole new (Disney) world order : Aladdin, atomic power, and the Muslim Middle East.” In: Visions of the East : orientalism in film / edited by Matthew Bernstein and Gaylyn Studlar. New Brunswick, N.J. : Rutgers University Press, c1997. Main Stack PN1995.9.E95.V57 1997

Pais, Arthur. “Arabs angry from ‘The Sheik’ to ‘Santa Barbara’; with Arabs currently much in the news, Hollywood’s depictions are called onesided and unfair.” Variety Dec 31, 1990 v341 n12 p5(1)

Pomerance, Murray. “Baghdad Bad.” Film International ; Oct2009, Vol. 7 Issue 5, p27-49, 23p

Quinn, Michael. “Where have you gone, Omar Sharif?” (stereotypical depiction of Arabs as terrorists in motion pictures) (Brief Article) Time August 8, 1994 v144 n6 p19(1) (412 words)

Rosen, Miriam. Batlouni, Barbara Shahin. “[Arabs in Film] Bibliography and Filmography.” Cineaste: America’s Leading Magazine on the Art and Politics of the Cinema. 17 (1): 21-23. 1989.

Semmerling, Tim Jon. “Evil” Arabs in American popular film : orientalist fear Austin : University of Texas Press, 2006. MAIN: PN1995.9.A68 S46 2006

Shaheen, Jack G. “Arab Americans.” In: The Columbia Companion to American History on Film: How the Movies Have Portrayed the American Past. Edited by Peter C. Rollins. New York : Columbia University Press, c2003. Media Center PN1995.9.U64.C65 2003. Doe Refe PN1995.9.U64.C65 2003 Non-circulating. Moffitt PN1995.9.U64.C65 2003

Shaheen, Jack G. “Disney Has Done It Again: Father of The Bride II Is Arab-Bashing Redux.” The Washington Report on Middle East Affairs. Washington: Mar 1996. Vol. XIV, Iss. 7; p. 44

Shaheen, Jack G. Guilty : Hollywood’s verdict on Arabs after 9/11 / Jack G. Shaheen. Northampton, Mass. : Olive Branch Press, 2008. Main (Gardner) Stacks PN1995.9.A68 S52 2008. Moffitt PN1995.9.A68 S52 2008

Shaheen, Jack G. “The Hollywood Arab (1984-1986)” Journal of Popular Film and Television, vol. 14 no. 4. 1987 Winter. pp: 148-157.

Shaheen, Jack G. “The Hollywood Hate Machine: “The Gladiator”; How in the World Did Bad Arabs Happen to This Roman on His Way to the Forum?” The Washington Report on Middle East Affairs. Sep 2000. Vol. XIX, Iss. 7; p. 106

Shaheen, Jack G. “Hollywood’s Muslim Arabs.” Muslim World 2000 90(1-2): 22-42.

Shaheen, Jack G. “Hollywood’s reel Arab women.” Media Development, 2007, Vol. 54 Issue 2, p27-29, 3p

Shaheen, Jack G. “In its new “family film,” Disney clobbers Arabs–again!” (Special Report) Jack G. Shaheen. Washington Report on Middle East Affairs May 2004 v23 i4 p66(2) (1113 words)

Shaheen, Jack G. Reel bad Arabs : how Hollywood vilifies a people New York : Olive Branch, 2001.  Main Stack PN1995.9.A68.S54 2001

Shaheen, Jack G. “Reel bad Arabs : how Hollywood vilifies a people.” The Annals of the American Academy of Political and Social Science, July 2003 v588 p171(23)

Shaheen, Jack G. “Still the Bad Guys.” The Washington Report on Middle East Affairs (1982-1989). Aug 12, 1985.Vol.IV, Iss. 5; pg. 6

Shaheen, Jack G. The TV Arab / Jack G. Shaheen. Bowling Green, Ohio : Bowling Green State University Popular Press, c1984. Main Stack PN1992.8.A7.S41 1984

Shaheen, Jack G. “Unkindest Cut.” Index on Censorship. Jul 2003. Vol. 32, Iss. 3; pg. 76

Simon, Scott J. “Arabs in Hollywood: An Undeserved Image.” Latent Image: A Student Journal of Film Criticism (Northeastern University) Spring 1996

Shohat, Ella.  “Gender in Hollywood’s Orient.” Middle East Report, No. 162, Lebanon’s War. (Jan. – Feb., 1990), pp. 40-42.

Simon, Scott J. “Arabs in Hollywood: An Undeserved Image.” Latent Image: A Student Journal of Film Criticsm (Emerson College), Spring 1996

Steinberg, Shirley. “French Fries, Fezzes, and Minstrels: The Hollywoodization of Islam.” Cultural Studies/Critical Methodologies 2, no. 2 (2002): 205-210. “Stereotypes of Near Easterners/Arabs.” Wikipedia

Yin, Tung.  “Through a Screen Darkly: Hollywood as a Measure of Discrimination Against Arabs And Muslims.” Duke Forum for Law & Social Change (DFLSC), Aug2011, Vol. 2 Issue 1, p103-123, 21p

Wall, James M. “Stereotypes in and out.” The Christian Century. Chicago: Oct 15, 1997. Vol. 114, Iss. 28; pg. 899, 1 pgs

Wingfield, Marvin and Karaman, Bushra. “Arab Stereotypes and American Educators.” March 1995. http://www.adc.org/index.php?id=283

Wilkins, Karin Gwinn. Home/land/security : what we learn about Arab communities from action-adventure films / Karin Gwinn Lanham, MD : Lexington Books, c2009. Main (Gardner) Stacks PN1995.9.A68 W55 2009

Bragg, Melvyn. “The Little Drummer Girl: An Interview with John le Carré.” In: Conversations with John le Carré / edited by Matthew J. Bruccoli and Judith S. Baughman. Jackson : University Press of Mississippi, c2004.  Main (Gardner) Stacks PR6062.E33 Z466 2004

Briley, Ron. “The Little Drummer Girl and John le Carré: The Search for Terrorism’s Root Causes.” Popular Culture Review, vol. 14, no. 2, pp. 93-105, Summer 2003

Briley, Ron. “The Search for Terrorism’s Root Causes: John Le Carre and the Little Drummer Girl.” Conference Papers — American Political Science Association, 2002 Annual Meeting, Boston, MA, p1-24, 24p

Kael, Pauline. “Current Cinema: New Yorker, 11/12/84, Vol. 60 Issue 30, p179-186, 7p

O’Brien, Lee. “The Little Drummer Girl.” Journal of Palestine Studies, Vol. 13, No. 2 (Winter, 1984), pp. 110-113

Richelson, J.T. “The Mossad Imagined: The Israeli Secret Service in Film and Fiction.” International Journal of Intelligence and CounterIntelligence, Volume 20, Issue 1 March 2007 , pages 136 – 166

Shaheen, J.G. “Screen Images of Palestinians in the 1980s.” In: Beyond the stars: Vol. 1: stock characters in American popular film. / edited by Paul Loukides and Linda K. Fuller. Bowling Green, Ohio : Bowling Green University Popular Press, c1990- Main PN1995.9.C36 B49 1990.  Moffitt PN1995.9.C36 B49 1990

Silver, Brenda R. “Woman as Agent: The Case of Le Carré’s Little Drummer Girl” Contemporary Literature, vol. 28, no. 1, pp. 14-40, Spring 1987

van Teeffelen, Toine. “‘You’re Some Sort of Supercommando, Aren’t You?’: The Gendering of Israel’s Image in Bestsellers.” Thamyris: Mythmaking from Past to Present, vol. 3, no. 2, pp. 311-34, Autumn 1996

Cohen, David S. “Script to Screen: Towelhead.” Script (10922016), Jul/Aug2008, Vol. 14 Issue 4, p38-43, 6p

Lucia, Cynthia. “Sexual Politics and Awakenings in Towelhead.” Cineaste, Fall2008, Vol. 33 Issue 4, p14-19, 6p

Richstatter, Katje. “Sex and Satire.” Tikkun; Nov/Dec2008, Vol. 23 Issue 6, p74-75, 2p

Roberts, Rex. “Towelhead.” Film Journal International, Sep2008, Vol. 111 Issue 9, p55-56


By Dani Camargo


Autor: Dani Camargo

Professora e bailarina de dança do ventre desde 2002. Formada em Educação Física e proprietária do Studio de Dança Dani Camargo, localizado em Campinas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *